Sentimentos.

SENTIMENTOS. Para muitos se trata de uma coisa difícil e bem complicada. Isso acontece porque ainda quando criança nem sempre há espaço para aprender a lidar e compreender os sentimentos, o que é fundamental e essencial para o desenvolvimento.
Reconhecer as emoções que sentimos nos auxilia a compreendê-las melhor e em situações conflituosas, permite identificar o que sentimos em cada contexto para que possamos lidar com menos sofrimento, criar novas estratégias e solucionar os problemas com mais facilidade.
Embora seja uma tarefa difícil, auxiliar as crianças a lidar com os sentimentos como dor, raiva, ira, frustração e demais emoções, ajudará a prepará-las para a vida, pois a cada nova etapa, essas emoções serão mais frequentes e aprender a enfrentar facilitará o processo de amadurecimento e adaptação.
Além disso, reconhecer as emoções também facilita o processo de empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Uma vez que a criança tenha conhecimento dos sentimentos, ela se torna capaz não só de reconhecer em si mesma, mas também de nomear as emoções nos outros, desenvolvendo assim novas habilidades emocionais.
É frequente vermos uma criança chorar na tentativa de conseguir o que quer, muitas vezes isso acontece por ela não conseguir compreender e descrever as próprias emoções, consequentemente não sabendo expressá-las de modo adequado, recorrendo ao choro como único meio de expressão.
Situações em que a criança começa agir com comportamentos mais agressivos, agitados diante de uma morte na família ou conflitos em casa, também expressam essa dificuldade em reconhecer as emoções, onde ela não consegue compreender o que sente, os novos sentimentos que ali estão presente naquela situação e tão pouco verbalizá-los.
Sendo assim, possibilitar ainda na infância espaço para lidar com as emoções sentidas, permitirá maiores habilidades, podendo se tornar mais tolerante à frustrações, ter maiores recursos para lidar com as dificuldades e criar novos meios para solucionar.

Kathlen Mendes

Como se desenvolve a autoestima?

Autoestima são crenças e sentimentos que temos a nosso próprio respeito, trata-se de uma autoavaliação que influencia na motivação, atitudes, comportamentos, ou seja, no equilíbrio emocional. Esta construção começa ainda na infância, através das vivências de sucesso ou fracasso que a criança vem a ter.

Alcançar o sucesso é algo comum para as crianças, que tem como objetivo o desenvolvimento, falar, andar, pegar, chutar, aprender. Elas tentam, falham e tentam novamente, erram, até que acertam, formando uma ideia positiva das próprias capacidades.

Nesse meio tempo acontece também a interação com o mundo, que torna o papel dos pais, cuidadores, educadores fundamental nesse processo, para auxiliarem a construção da autoestima infantil.

Seja para o bem ou mal, aquilo que é dito para uma criança ou o que deixa de ser dito também, o modo como é dito, influencia a construção da autoestima da criança. Uma boa autoestima é essencial para o desenvolvimento, além de ser base para a motivação da realização das atividades.

Ouvir, aceitar, disciplinar, estabelecer limites na educação de uma criança, favorecem uma boa autoestima. Possibilitar escolhas e decisões são também pontos relevantes nesse momento. As crianças buscam os mais velhos como referências, como meio de afirmar a sua construção, produção e elas precisam sentir esse afeto e carinho.

Sentir que é capaz de agradar, que consegue realizar, que surpreende com resultados que apresenta faz a criança sentir-se orgulhosa de si mesma, das suas habilidades e competências. E na pior das hipóteses, mesmo que não consiga, ter o suporte de alguém para encorajar e ajudar a enfrentar as frustrações é tão importante quanto.

Claro que as crianças precisam ser corrigidas, porém, há modos para se fazer isso, por exemplo, diante de um comportamento inadequado da criança, o adulto deve se referir ao comportamento da criança, dizendo o que foi feito e porque está sendo reprovado e não reprovar a criança, como um todo, afinal, ela não se reduz ao comportamento realizado. Este tipo de abordagem possibilita que a criança diferencie quem é ela, como age e reflita sobre o modo como agiu, o que é fundamental para o desenvolvimento.

Além disso, frente a uma dificuldade ou erro, mostrar outros caminhos, o modo como fazer, acreditar na capacidade de execução e passar segurança são aspectos importantes também para auxiliar em uma boa autoestima.

Kathlen Mendes
Psicóloga Clínica e Gestalt-terapeuta

Como é um depressivo?

A depressão trata-se de um transtorno de humor que vem crescendo muito nos últimos anos, porém, infelizmente não recebe a devida atenção pelos que sofrem e pela sociedade diante da sua gravidade. Fraqueza ainda é a palavra associada à depressão, com a falsa ideia de que só tem depressão quem é fraco para lidar com as próprias questões. Ao longo da vida, 20% são as chances de uma pessoa desenvolver depressão. As mulheres por sua vez, tem mais propensão a terem depressão do que os homens.

Quando uma pessoa está deprimida, pensando em grau moderado a grave, muitas alterações acontecem com ela, tanto no nível comportamental quanto mental, as ideias e pensamentos ligam no botão automático da negatividade. O mundo se torna cinzento, triste, sem esperança e sem perspectivas. Não há um olhar adiante, mas um passado que condena, que persegue, fazendo com que o futuro se acabe.

O modo de se relacionar é uma das primeiras alterações que ocorre. A vontade de sair, de participar de rodas de amigos, de interagir diminuem significativamente. Não há mais interesse no outro, desde as rodas informas para papear e beber, até o ato sexual, pois a libido diminui consideravelmente.

Embora a pessoa possa ter uma vida boa financeiramente, com estrutura familiar, emprego, nada disso faz diferença diante de um quadro depressivo. Tudo se apaga neste período, o passado de realizações e conquista se perdem, ficando adormecido e o que se tem é uma motivação escassa, uma paralisação e medo. O que antes era alegria passa a ser sentido com dor, tristeza, sem prazer algum.

Difícil ainda é lidar com o próprio julgamento. Sentimentos de culpa, vergonha aparecem diante da auto avaliação das escolhas, ações, comportamentos que fez um dia. Nada faz sentido, a autoimagem negativa se torna como única e verdadeira. O que um dia a fez ter um sentimento ruim, agora isso se intensifica.

Incompreensão é um sentimento comum para quem está com depressão, ninguém parece compreender as suas angustias, dores, ou se importar. A pessoa sente-se distante dos demais, vivendo isolada fisicamente e emocionalmente. Não é sentido no corpo, mas na alma, emocionalmente está fragmentada.
Nesses casos, as pessoas próximas devem demonstrar afeto, acolhimento e auxiliar a pessoa deprimida a compreender que ela está em um estado depressivo, que não é algo natural e precisa de ajuda. Não cabe discutir ou dizer que ela deve sair e enfrentar, pois trata-se de uma patologia, não é preguiça. Procurar ajuda especializada é o indicado, e muitas vezes com a intervenção medicamentosa, para auxiliar no reestabelecimento emocional.

Para que haja um tratamento adequado é necessário envolvimento por parte de quem sofre com a doença, que se dedique ao tratamento e aprenda a lidar com os pensamentos e comportamentos. Não há modos mágicos ou que tenham 100% de eficácia no tratamento de todos que sofrem com essa doença.

Kathlen Mendes

Luto. O que é o processo de luto?

Luto. A palavra é curta, mas o sentimento que ela represente é de grande intensidade. Perder algo ou alguém é sempre muito doloroso, mas faz parte do processo natural da vida e pode inclusive, favorecer o crescimento e amadurecimento quando segue ocorre de maneira saudável.

Você deve estar se perguntado, mas é possível o luto acontecer de modo saudável? Sim, é sim. O luto é essencial para o crescimento da vida, do processo solitário, assim como o vivenciar a dor é importante para reconstrução do lugar do sujeito que perde.

Quando se fala em luto, não se trata somente da morte, mas de situações que levam a perda, como perda de um prego, término de um relacionamento, de bens materiais, doenças e também, a morte de pessoas.

O luto é vivido de maneira muito particular, cada um tem uma reação, um modo de lidar nesse momento e essas diferenças são importantes, pois um isolamento por exemplo, pode ser necessários para que a pessoa consiga entrar em contato com os próprios sentimentos. Mas é necessário que haja alternância com outras pessoas, com períodos de troca, para ter referência do atual momento.

Não se trata de uma doença, síndrome, que precisa de cura ou tratamento, mas de um processo de perda que necessita ser vivenciado em relação a algo ou alguém, variando em cada caso. Sentir é algo fundamental e natural. É importante compreender que diante de um luto, sim, as pessoas ficam tristes e não é necessário remediar este sentimento a qualquer custo ou ignorar. A raiva também é muito comum nesses casos e senti-la é parte do processo, porém, há casos em que ela é sentida e canalizada para culpar alguém, na fantasia de diminuir a dor, o que não ocorrerá. Nesses casos, um acompanhamento especializado é fundamental.

Elizabeth Kubler Ross descreveu cinco principais fases para o luto, que não necessariamente ocorrem em uma sequencia definida. Trata-se da negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Estes ciclos indicam a evolução ou não da maturidade em lidar com a perda. Vale ressaltar que o luto acontece como se fosse algo externo, paralelo, como se a vida dos demais continuassem normalmente, enquanto o enlutado mantivesse a vida em outra frequência.

Na sociedade atual, o luto é visto como algo sem tempo, sem espaço, não podendo ser processado, chorado, sentido.
É completamente negado. Morrer trata-se de um adversário do processo natural da vida. E como tudo aquilo que é ignorado e negado, diversas consequências podem surgir. É preciso entender que uma nova história pode surgir após a passagem pelo luto.

O importante é observar a intensidade e os efeitos que o luto gera na vida da pessoa, pois quando o luto coloca a saúde da pessoa em risco, ou seja, indícios de doenças, transtornos, ideação suicida, é o momento de procurar ajudar.

O apoio e atenção dos mais próximos são importantes por mais difícil que pareça. Além disso, estar próximo, respeitar os momentos de choro, de isolamento e possibilitar a escuta e o acolhimento são modos de ajudar e confortar quem passa pelo luto. Convites e alternativas para lembrar ao enlutado que há novos meios e caminhos para seguir adiante são fundamentais para ajudar a passar pelo processo.

Kathlen Mendes
Psicóloga Clínica e Gestalt-terapeuta

Quem é o psicólogo?

O psicólogo é um profissional da área da saúde que têm por objetivo auxiliar o sujeito nas suas questões emocionais e comportamentais, bem como no seu sofrimento psíquico.

O principal instrumento é a conversação entre psicoterapeuta e paciente visando a sua qualidade de vida em relação a pensamentos, comportamentos e emoções.

Podemos procurar um psicólogo nas mais diversas situações. Naqueles momentos em que só queremos falar sem ser julgados ou então aquele momento em que não vemos saída para o nosso problema e não sabemos a quem recorrer. Ainda tem aqueles momentos que só queremos desabafar e contar com alguém para nos ajudar. Ou às vezes, quando passamos por situações muito difíceis e dolorosas, que sozinhos não conseguimos lidar com o tamanho daquela dor. São inúmeras as situações.

O importante é perceber que se tem algo incomodando ou pesado demais para lidar sozinho, buscar ajuda pode ser fundamental para que se compreenda o que está acontecendo e não permita que se torne algo mais grave.

Kathlen Mendes
Psicóloga Clínica e Gestalt-terapeuta

Ansiedade, boa ou ruim?

Ansiedade é considerada uma emoção, que em uma situação entendida como tensa ou de risco funciona como alerta. É algo muitas vezes difícil de lidar, que atrapalha o desempenho e se não buscar auxilio de início, pode inclusive trazer prejuízos maiores.

Provavelmente tudo isso já é de conhecimento e tudo que for dito aqui nesse sentido, serão informações importantes, mas que reforçam a ideia da negatividade da ansiedade. Então há outra questão relevante. E o lado bom da ansiedade? Pra que serve a ansiedade?

A ansiedade trata-se de uma resposta fisiológica do corpo, logo se é natural, não pode ser entendida somente como algo ruim, mas como essencial em alguns momentos. Ou seja, a ansiedade tem papel relevante para o enfrentamento de situações possibilitando respostas imediatas para um bom desempenho. Ela é fundamental para que consiga avaliar, fazer previsões, planejar, agir, podendo ajudar e muito, pois permite ter foco e concentração em determinadas situações, percebendo o problema de modo mais nítido.

O ansioso pode sim imaginar coisas muito negativas, dando errado e impossíveis às vezes. Mas também pode facilitar os planejamentos futuros, os novos passos que pretende dar e inclusive, pensar em um plano B.

A pouca ansiedade pode levar a uma preparação inadequada ou insuficiente para obter resultados satisfatórios, ou até mesmo um comportamento negligente. Por outro lado, a ansiedade sentida em excesso pode gerar paralisação e descontrole, comprometendo a performance. Normalmente isto acontece quando há um exagero na avaliação em relação aos riscos que envolvem a situação e a diminuição na própria capacidade em exercer algo. A negação do sentimento, também pode levar a um excesso de ansiedade sentida, por se achar na necessidade de se sentir calmo entrando em conflito com os próprios sentimentos.

Ter discernimento e aceitação dos seus sentimentos é algo fundamental, pois qualquer situação desafiadora haverá sim, certo grau de ansiedade. Sabendo lidar, ela ajudará a ficar mais alerta e novas ideias e oportunidades surgirão. Do contrário, pode haver interrupção, paralisação, sendo necessário reavaliar.

Kathlen Mendes
Psicóloga Clínica e Gestal-terapeuta